sábado, maio 12, 2007

Vincent (Starry starry night)


Starry
starry night
paint your palette blue and grey

look out on a summer's day
with eyes that know thedarkness in my soul.
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodils

catch the breeze and the winter chills

in colors on the snowy linen land.
And now I understand what you tried to say to me

how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how

perhaps they'll listen now.

Starry
starry night
flaming flo'rs that brightly blaze

swirling clouds in violet haze reflect in
Vincent's eyes of China blue.
Colors changing hue
morning fields of amber grain

weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artist's
loving hand.
And now I understand what you tried to say to me

how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
perhaps they'll listen now.

For they could not love you
but still your love was true

and when no hope was left in sight on that starry
starry night.
You took your life
as lovers often do;
But I could have told you
Vincent
this world was never
meant for one
as beautiful as you.

Starry
starry night
portraits hung in empty halls

frameless heads on nameless walls
with eyes
that watch the world and can't forget.
Like the stranger that you've met

the ragged men in ragged clothes

the silver thorn of bloddy roselie crushed and broken
on the virgin snow.
And now I think I know what you tried to say to me

how you suffered for your sanity

how you tried to set them free.
They would not listen
they're not
list'ning still
perhaps they never will


Letra: Don McLean
Quadro: "Starry night (Noite estrelada)" de Vincent Van Gogh

quinta-feira, março 15, 2007

Que futuro?

Qual será o futuro do nosso país, do nosso continente e porque não, do nosso mundo, quando este estiver nas mãos destes que hoje são crianças e batem nos professores, nos pais, nos avós… e em muitas outras figuras que supostamente deveriam representar autoridades e impor respeito mas que nos dias de hoje não parecem representar coisa alguma?
Em tempos idos os pais comiam primeiro, sendo que as mulheres se seguiam aos homens na vez de sentar à mesa e para o fim ficavam as crianças (não estou a dizer que concordo, apenas a verificar um facto). Estas comiam o que sobrava e só se sentavam com a devida autorização, eram sem duvida a base da hierarquia, em tudo. Nos tempos de maior pobreza as crianças para além de perderem o direito a escolher a melhor comida, perdiam ainda o direito a ser crianças e desde muito cedo começavam a ajudar os pais no sustento da casa. Nos campos principalmente, andavam de sol em sol cantando e brincando num ritual que para quem via de fora podia parecer de muita alegria e brincadeira mas de dentro sabia-se que custava a infância, custava o direito à brincadeira, custava muito. Mas também as hipóteses de brincadeira eram poucas, não haviam brinquedos e os poucos que haviam tinham de ser construídos pelos próprios.
Acima de tudo os pais mandavam, usavam o seu estatuto de mais velhos e usavam também a força, talvez até demais. Os professores também eram autoridades para as crianças e também usavam a força, talvez também demais. Mas depois surgiu um dado novo que modificou toda esta estrutura de sociedade, descobriu-se que “o melhor do mundo são as crianças”, graças a Fernando Pessoa. E a partir daí as coisas foram mudando, até chegarem ao que são nos dias de hoje, em que os papeís estão invertidos. Nada pior para uma sociedade criada às pressas por homens pensadores do que papeis invertidos. Poderá ser o fim, o principio do fim ou será pelo menos, de certeza, o começo de uma mudança qualquer.
Os pais já não mandam nos filhos, não recorrem a qualquer tipo de violência pois os telejornais assustam qualquer pai que pense sequer em dar uma palmada ao seu filho. Resta agora esperar que os filhos também se assustem quando noticias a falar de pais vitimas de negligencia, bombardearem os telejornais e pode até acontecer que um dia um grande poeta escreva que “o melhor do mundo são os adultos pais das nossas crianças”. Os professores também já não são agressivos, agora são agredidos, pelos alunos e por pais revoltados. Trata-se de uma nova forma de reunião de encarregados de educação. Os avós também não têm grande voto na matéria, mas a figura do avô sempre foi a de policia bom, agora não sei qual é, uma vez que não há policia mau.
Mas de quem é a culpa? Do acesso a brinquedos sofisticados que não exigem imaginação nem inteligência para ser usados? Do acesso a jogos com gráficos quase reais e cheios de violência? Dos desenhos animados com xutos e pontapés? Do acesso à Internet que possibilita aceder a informação sem o mínimo de esforço (ainda me lembro do desespero que era arranjar aquela música fantástica que ouvira na rádio)? Dos medos e da falta de tempo dos pais e da consequência disso nas escolas? Ou será do grande poeta Fernando Pessoa? Não sei. Mas de momento quando vejo as noticias “fashion” de agressões a professores que os telejornais divulgam constantemente, de filhos a mandar nos pais, de vandalismos gratuitos pelas ruas cometidos por crianças e adolescentes... Penso: o que será do nosso futuro entregue a estas pessoas que não têm quaisquer figuras de autoridade nem noção dos seus limites?

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Velho Estado Novo?

Ao olhar para a televisão nos últimos dias dei comigo a perguntar: E se fizessem um referendo para saber se os portugueses queriam voltar aos velhos tempos do Estado Novo? Qualquer coisa como: “Concorda com o regresso ao Estado Novo se realizado por vontade do povo, em país saudoso e legalmente autorizado?” Será haveriam dúvidas quanto à pergunta? Seria considerado um crime? Mas essencialmente, será que aí sim ganharia de certeza o SIM? Se calhar…
Afinal quem são as pessoas que vão votar NÃO à despenalização do Aborto? “Aposto” que serão todos os que votaram em Salazar e o fizeram chegar aos 10 primeiros dos Grandes Portugueses (que já serão bastantes), mais uns poucos que talvez até nem apreciem muito o senhor e outros que não têm conhecimentos suficientes na matéria para o poderem apreciar. Regra geral são pessoas conservadoras ou fieis seguidores de uma religião, pois então “Deus, pátria e família” encaixa que nem luva, ou não?
Ouvi dizer como defesa ao argumento de que todos os países da Europa já despenalizaram o aborto como sinal de evolução e se torna cada vez mais claro que Portugal terá também de seguir esse caminho, que não devemos andar a “reboque” dos outros. Fez-me logo voltar ao passado e lembrar-me da época da descolonização, em que também não andámos a “reboque” dos outros e quando todos já tinham liberto as suas colónias, Portugal ia mantendo por muito mais tempo as suas províncias ultramarinas. Não nego a inteligência do senhor, ninguém o pode fazer. Mas o que eu gostava é que esses tempos fossem tempos idos, mas não são.
Pode até ser exagero meu, mas na realidade o que isto reflecte é a dificuldade que nós portugueses temos em dar um passo em frente. Algo que não parte apenas do povo pois na minha opinião a despenalização já deveria ter sido aprovada na Assembleia da República em vez de andarmos a gastar dinheiro público com referendos e suas campanhas.
Em tão curto espaço de tempo duas provas tão claras de saudosismo do Estado Novo, do conservadorismo e dos tempos em que o Estado interferia "descaradamente" na vida e nas escolhas pessoais dos seus cidadãos.
Agora só faltava mesmo Salazar ser o vencedor do concurso dos Grandes Portugueses e o Não ganhar no referendo. É tudo uma questão de votos, resta esperar para ver e a ver vamos!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Ser ou não ser...

Eis a questão do momento. Refiro-me ao Aborto, mais concretamente à sua despenalização.
Queria começar por dizer que acho que ninguém é favor do aborto, nem uma mulher o faz de ânimo leve e tendo outras alternativas, nem ninguém o vai usar como meio contraceptivo e que os adeptos do Não, não estão a dar nenhuma novidade quando dizem que é uma vida que se está a destruir, pois todos sabemos disso. O problema é que nas nossas sociedades nem tudo pode ser como queríamos, nem tudo é bonito, nem todos podemos ser felizes. As sociedades em que vivemos são sociedades artificiais que contrariam a nossa natureza a maior parte do tempo, por isso não podemos ter nem respeitar tudo o que a natureza nos dá. Nem mesmo uma vida, nem mesmo um filho. Às vezes simplesmente não dá.
É então preciso encarar a realidade e criar os meios necessários para tornar a nossa vida razoável, suportável e tentar ser feliz na sociedade que criámos e para a qual contribuímos (para o bem e para o mal). É necessário despenalizar o aborto, a meu ver, para evitar os filhos indesejados que sabemos que dificilmente vão conseguir ser felizes (paremos de acreditar em contos de fadas), que vão acabar por prejudicar a própria sociedade e que esta vai querer ver afastados de si. Numa prisão, num manicómio, numa qualquer dessas instituições que tão bem soube criar para afastar os não desejados (e são bastantes).
Outro aspecto muito importante é a forma como se lidam com as nossas crianças (essas que nós queremos à força que nasçam). Vemo-las ser violadas, mortas, espancadas pelos pais e familia próxima e a sociedade (que tanto desejou o seu nascimento) chora a sua perda depois de ter mandado à sua casa alguém da Protecção de Menores que desconfiou que algo não estava bem, mas que ao chegar lá concluiu que estava tudo normal, os pais amam-na, não há qualquer problema familiar por ali, até um dia...
Ou seja, proíbe-se o aborto como que dizendo "nasçam que nós tratamos de vocês, mesmo não tendo sido desejados pelos pais, ou mesmo que os vossos pais tenham concluído que não têm condições para vos criar - pensamento de quem pensa abortar - " mas depois o que se vê é uma sociedade que não cuida minimamente das suas crianças nem lhes presta grande atenção.
Na minha perspectiva, enfrentar a realidade é ter uma lei que despenalize o aborto e para evitar um mau uso dessa lei, perder o medo da palavra sexo e dar educação sexual nas escolas. Passar menos Floribellas na TV e usar esses meios que tanto influenciam as crianças e os adolescentes para passar informação útil. Assim já se podia evitar os papões e a necessidade de recorrer a comparações ridículas como as que são feitas às mulheres, que tristemente se expõem a um acto de extrema violência física e psicológica como é o aborto, comparando-as a terroristas.
Afinal quem são os verdadeiros assassinos?

sábado, setembro 09, 2006

Mil palavras...


Bem sei que nunca tinha colocado uma imagem no meu blog, bem sei que desenhei sempre as minhas ideias em textos. Mas agora, e como há fotografias que falam falam falam e dizem muito mais que mil palavras, decidi criar uma nova alternativa de comunicação. Apreciem...

Palavras para quê? Há tardes assim...

terça-feira, agosto 15, 2006

Fechado para férias

Passamos o ano inteiro a queixar-nos da falta de dinheiro, da falta de saúde, da falta de investimento no país, da falta de médicos e hospitais, da falta de governo, da falta de tudo. Para depois chegar Agosto e concluirmos que afinal é tudo psicológico.
Afinal falta o quê? Em Agosto, falta é espaço na mala para pôr todos os adereços e partir rumo ao Algarve ou outro destino qualquer com praias "à mão". E seja o que Deus quiser! E eu que nem sou lá grande religiosa...
Em Agosto não há tempo para adoecer ou ter crises nervosas ou financeiro-existenciais. Pior! Não podemos mesmo tê-las. É que as instituições de saúde estão fechadas para férias e os médicos há muito que partiram rumo a um mundo melhor e à procura de descanso (bem merecido em alguns casos). Portanto quem adoecer em Agosto tem de ter paciência e esperar até Setembro.
Também não se pode abusar muito da cafeína nesta altura, nem dos bolos, nem dos petiscos. Não, não é para evitar uma crise nervosa, de estomago ou o aumento do colestrol e depois ter de aguentar um mês pelo regresso do médico e pela abertura da instituição de saúde, é mesmo porque não há onde sequer tomar uma bica. Os cafés, pelo menos em Lisboa, estão todos fechados. Tudo bem, não são todos, são quase todos. Há uns dois ou três que esperam um bocadito até Setembro, ou têm empregados suficientes e com força de vontade suficiente para resistir à fuga de Agosto e até dá para manter o estabelecimento aberto. Sorte a nossa, mas essas são apenas pequenas excepções.
Em Agosto Lisboa vai de férias, e nem há o cuidado de tentar conciliar as férias uns com os outros. Fecham todos e não há nada. Não há respeito, não há café, nem bolinhos, nem bifanas, nem negócio. Mas crise? Que crise? Não há crise nenhuma, vamos é para férias e aproveitar bem o sol. É que depois nos meses seguintes voltamos às lamurias e choradinhas. Mas nessa altura já os médicos cá estão, e os cafés reabriram e temos as begecas e o tintinho para animar. E em Agosto lá vamos nós todos outra vez!

Só uma palavrinha…

Depois de tantos meses de falta de vontade, falta de inspiração e até, imagine-se, falta de tempo, decidi reanimar o blog já meio moribundo e ver no que isto vai dar.
Podem comentar, não tenham medo. Pelo contrário, sintam-se à vontade de expressar toda as ideias, tenham elas a forma que tiverem. Aliás se sentissem obrigação de o fazer, então isso é que era!
Mas vamos ao que interessa, vamos lá começar de novo…

segunda-feira, abril 24, 2006

O Primeiro Dia

A princípio é simples anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se no silêncio e no borborinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho

E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que leva a peito
Bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem cansaços e o corpo frequeja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso por curto que seja
Apagam-se duvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio

Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Letra de Sergio Godinho

domingo, abril 23, 2006

A um Deus desconhecido...

À primeira vista não considero que ver televisão seja pecado. Embora este passatempo não abone muito a favor do desenvolvimento cerebral, não devemos ter o acto como algo proibido, apenas podemos tentar aplicar o nosso tempo em coisas que nos tragam mais benefícios. Tambem não acho que devemos proibir as crianças de ver televisão, apenas ensiná-las que para além disso têm outros passatempos que serão com certeza bem mais divertidos.
Por isso mesmo achei um exagero a proposta de um bispo norte americano que ver muita televisão passasse a ser considerado pecado e que, imaginemos, por cada duas horas de visualização, os crentes tivessem de se ir confessar a um padre e receber a devida punição para se redimir. Não seria bem isto, seria algo parecido.
Porém, e embora continue a achar o que acabo de escrever, apercebi-me ao ver um programa chamado Prazer dos Diabos na SIC Comédia (o qual recomendo) que a televisão pode na realidade representar péssimos valores, pode representar os piores valores do ser humano, dignos de serem considerados pecado. Embora perdoáveis a quem assiste, deveriam ser imperdoáveis a quem tira qualquer lucro da transmissão de certos acontecimentos, que apenas envergonham os canais televisivos que o fazem e principalmente os seus directores. Passo a explicar…
Há um canal de televisão que nos últimos tempos em muito se tem esforçado por divulgar e promover os piores comportamentos do ser humano. Entre outros, a má relação que mantem com os animais. Estou a referir-me à TVI e aos seus programas Circo das Celebridades e Morangos com Açúcar. O primeiro ajuda a divulgar um espectáculo que se apoia entre outras coisas, no sofrimento de animais para animar plateias, um comportamento que se manteve estático desde há mesmo muito tempo. Desde sempre que se aplaude o sofrimento alheio! O segundo dirige-se às gerações mais novas, crianças e adolescentes, ou seja, as gerações que estão naquela fase em que absorvemos tudo o que nos rodeia sem distinguir muito bem o certo do errado, uma fase crítica em que se forma a nossa personalidade. Ora tendo isto em conta, será correcto um programa de televisão ter grande parte dessa responsabilidade? Numa altura em que se sabe que os jovens passam mais tempo em frente à televisão que a conviver entre si? Pior! Será correcto promover nessa série, que em tanto influencia os jovens, um espectáculo violento como a tourada?
Embora tudo isto seja grave, pior que não respeitar os animais é não respeitar as pessoas. E com vista ao enorme lucro que isso iria trazer e trouxe com certeza, passar em directo durante uma tarde inteira o funeral de um jovem actor de 22 anos. Podemos aqui argumentar que também foi transmitido em directo (e eu até comentei o acontecimento no “Horizontes” do MSNSpace) o funeral de Álvaro Cunhal, por exemplo. Mas tratava-se de uma pessoa que faleceu com 91 anos e que dedicou muitos desses anos ao país. Foi uma homenagem que o povo lhe fez. No caso do jovem actor Francisco Adam, não foi uma homenagem, porque não faria sentido, foi uma exploração, exploração de uma morte trágica, e do sofrimento de muitas pessoas, dos colegas, dos amigos, da família. Uma transmissão que até teve intervalos com publicidade dirigida ao público jovem. Nem quero imaginar a negociação dessas empresas com a estação de televisão para passar a sua publicidade durante esse “espectáculo” com tanta audiência, deve ter sido dos mais tristes dos cenários. Logo a seguir a essa transmissão, ainda foi possível descer mais baixo e passar um episódio da série onde ainda aparece o jovem actor, num horário que nem sequer é o habitual.
É verdade que vivemos numa sociedade de consumo e que se vão perdendo muitos dos valores humanos, mas ainda custa a aceitar que até a morte, por mais trágica que seja, possa ser um negócio. E se é azar para uns, parece que é uma grande sorte para outros.
Realmente a televisão pode ser um grande pecado. E nestes casos, se o não é para o Deus destas pessoas, que o seja algures perante um qualquer outro Deus.

sábado, abril 08, 2006

Piratas do Cybermundo

Hoje em dia já não é preciso usar pala no olho, ter uma perna de pau e nem ter cara de mau para se ser um pirata. Basta ter um computador, um servidor de internet, um programa de partilha de ficheiros e... não ter muito dinheiro. A partir de agora todas as pessoas que sacam músicas, filmes, fotografias, seja o que for da internet, são umas criminosas e descobriu-se recentemente que estão a destruir a indústria discográfica portuguesa. Pelo menos essa é a industria que mais se tem declarado como quase falida devido a esse crime horrendo. E começam até a desaparecer os tambores e pratos das baterias dos pobres bateristas portugueses. Mea culpa!
Eu confesso que me senti mal ao ver artistas que tanto admiro, dizer que os estamos a prejudicar, é que eu até estava actualmente a sacar coisas desses mesmos artistas. Eu lamento isso, mas será que eles sabem que tenho de comer? É que se me puser a comprar todos os cds e dvds que gostaria de ter, não sobra rendimentos nem para uma carcacinha!
Tantas indústrias estão a falir devido à falta de poder de compra dos portugueses e devido à crise (esta maldita crise que não se vai sabe-se lá porquê), porque que não acusam esse problema de ser também o causador da falência desta? Só porque arranjámos alternativas para continuar a consumir os seus produtos? É que não estou a pensar começar a gastar todos os meus rendimentos em cds ou dvds. Se não poder obtê-los através da Internet, simplesmente terei de os deixar de consumir, e voltar aos bons velhos tempos da rádio (que bom para os donos das rádios, mas não para os artistas portugueses, pois eles lá não passam muito disso! Será que a culpa também é nossa?), ou ficar a ver os canais musicais da tv cabo.
Lamento, mas não posso comprar todos os vossos cds, Srs. Artistas! Talvez fosse melhor falarem com os que ficam com a diferença que vai entre os 0,50 euros dum cd saído da fábrica e os 15 euros com que surgem nas lojas. Ou então pedir ao governo para baixar o IVA, que já ajudava bastante. Ou isso ou passarei a sacar as coisas da internet com uma meia na cabeça, para não ser reconhecida.

quinta-feira, março 16, 2006

Aqui entre nós...

“(…) Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas!(…)”*

Este texto parece tão actual não é? Mas não é, foi escrito por José Mário Branco em 1979. O que é que mudou desde então? Notam evoluções de lá para cá? Afinal o que se fez desde o 25 de Abril até hoje?
Já vem do tempo da ditadura a excelente medida de entreter o povo com Futebol, com peregrinações a pé ou televisivas a Fátima ou ao som do Fado. O Fado, infelizmente, entrou em declínio, Fátima vai-se perdendo ao longo das gerações mas o futebol... O futebol é óptimo para adormecer, não há revoluções que resistam. Quanto ao resto, é ler e comparar! Dá que pensar…

*Excerto retirado do texto FMI editado originalmente em 1982, e reeditado em 1996 em Ser Solidário.

quinta-feira, março 09, 2006

Ai Portugal, Portugal...

Portugal, um país com bastantes tradições bem características, rico em paisagem natural, com uma temperatura de fazer inveja a muitos países cinzentos, e com uma riquíssima variedade de espécies animais, ou seja, com tudo para ser um pais rico e desenvolvido, é nos dias de hoje, um país pobre e pequeno, praticamente de 3º mundo que está na cauda da Europa. A paisagem natural vai ardendo de ano para ano, e a maior parte das espécies animais já está extinta.
Portugal é um país que abandona a sua riqueza cultural para adoptar as culturas de outros países, celebrando com muito gosto e alegria um Carnaval à brasileira, um dia de S. Valentim americano e um Natal Coca-Cola que nada tem a ver com a sua original base cristã, adoptando um Natal tipicamente pertencente aos Estados Unidos da América, país que a nível histórico pouco ou nada tem para contar. Assim como abandona a sua riqueza cultural, abandona também a sua riqueza linguística. Embora tenhamos uma das línguas mais bonitas, complexas e de maior riqueza gramatical, nos dias de hoje é bem mais fashion usar termos estrangeiros, geralmente termos ingleses. Sendo que estes aparecem em frases sem sequer serem postos entre aspas (era o mínimo!), é como se fizessem parte natural do nosso vocabulário. E é comum nas empresas observar os grandes empresários nas suas importantes reuniões falarem com toda a convicção em fazer brainstorming ou refreshings, out sourcing ou franchising, resta saber se dominam assim tão bem o português. É que pelo menos os jovens, que tanto insistem em usar o inglês, principalmente na Internet mesmo quando apenas se estão a comunicar com portugueses, não parecem ter qualquer conhecimento sobre a própria língua, dando erros dignos de rir ou chorar, dependo da prespectiva, quando fazemos o resumé dos resultados das provas globais de português.
Que actualmente não nos dêmos ao trabalho de traduzir as expressões que vêm de fora ainda vá (por muito mau que seja), agora substituir as expressões portuguesas por inglesas é que custa a perceber. Deixamos por exemplo de ver toneladas de novelas brasileiras em horário nobre para passar a ver toneladas de novelas brasileiras e portuguesas (de qualidade duvidosa) em prime-time. Mas infelizmente o uso de termos estrangeiros não fica por aqui, os politicos, os intelectuais, os homens com poder financeiro, todos passaram a usar estrangeirismos com tanta frequência como a que falam e aparecerem na televisão, e depois culpamos os jovens por não saberem falar português. Eles não sabem, é verdade, mas afinal de quem é a culpa?
Resta-nos os campeonatos europeus e mundiais de futebol para nos fazer lembrar que somos portugueses. Não somos Brasileiros nem Espanhóis, não. Somos portugueses, falamos português e temos a nossa própria cultura, pelo menos por enquanto…

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

O hábito faz-nos o gosto

Tudo em nós são hábitos e isso é possível ver em muitas das pequenas coisas do nosso dia a dia, aquele dia a dia a que tanto estamos habituados…
Ouvimos uma música que não gostamos, cantada por um outro artista, ou não, e passamos a gostar, estávamos era habituados a não gostar dela cantada pelo outro, e porque nos habituámos que esse artista não presta. Dificilmente podemos mudar horários ou alterar trajectos porque já estamos habituados aqueles de todos os dias. Destruímos o nosso organismo porque nos habituámos a fumar e a beber e a fazer outras coisas da mesma família e habituamo-nos a perceber que isso mata os outros à nossa volta, mas os outros também já estão habituados a que os façamos sofrer. Casamos e mantemos relações com outras pessoas durante vidas inteiras porque nos habituámos aos seus hábitos. Partilho coisas com amigos a que me acostumei partilhar. Habituamo-nos a gostar de quem gostamos… Mantenho o mesmo emprego porque me habituei aos colegas, ao trajecto, aos cheiros, a tudo. E como é bom depois chegar a casa e ligar a TV por puro hábito, nem que seja para dormir em frente dela.
Não me habituo a dormir quando tenho sono. Não me habituo a dormir sem ouvir um pouco de música, sem vir navegar com os meus amigos, ou não. Habituei-me a escrever em blogs e não deixo este hábito. Se estou habituada a deitar cedo, não me mantenho acordada após as 10, se não me habituei a esse hábito que é o mais comum e “saudável”, não consigo adormecer. O nosso organismo habitua-se a habituar-se às circunstâncias, a tomar as refeições a certas horas e não aguento a tanta fome que tenho, mesmo que esteja mais que habituada a saber que em Africa sim se passa fome e que os seus organismos se habituaram a não se habituar a nada. Habituados que estamos a lamentarmo-nos, não há alegria que nos alegre, não me habituo a ver-me feliz.
Os vícios são hábitos e nós somos tão viciados nos hábitos que por vezes nos habituamos a ser assim simplesmente por hábito!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Aqui entre nós...


Para que não restem dúvidas aqui fica o link com a listagem de empresas que testam e as que não testam em animais. Assim tornar-se mais facil escolher os productos a comprar...

http://www.lpda.pt/01campanhas/listagem_empresas.htm

Graças ao boicote dos consumidores, empresas como a Gilette optaram por deixar de testar os seus productos em animais. Se resulta porque não começarmos todos a boicotá-las? Assim provamos como o Barato sai caro!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A ocidente nada de novo

Porquê que os Muçulmanos passam a vida a cometer actos de violência contra os ocidentais? Será porque no fundo os odiamos, arrebentamos as suas terras com bombas, queremos roubar-lhes as suas riquezas naturais e recentemente demonstrámos o nosso total desprezo para com a sua cultura e religião?
Esta questão deve parecer familiar a muitos. Todos aqueles que acham que os actos de violência que os muçulmanos têm recentemente cometido contra as embaixadas dos países daqueles que acharam que seria “engraçado” caricaturar o seu profeta, não passam de fundamentalismos e extremismos. Mas continuaremos a achar isso se nos lembrarmos da actual situação de guerra em que se encontra o ocidente e o oriente. É que a intenção daquelas caricaturas, bastante ofensivas e agressivas por sinal (aconselho a ver antes de acusar de extremismo as atitudes de resposta), não é assim tão inocente. Aliás não é NADA inocente.
Mas o pior é que a história não acaba aqui, e começam então outros países, que também foram para terras muçulmanas ao lado dos aliados EUA para combater o "mal", a fazer caricaturas das caricaturas e depois caricaturam o caricaturado, caricaturando por aí fora até ver onde tudo isto vai parar. Mas será que algum dia irá parar?
Estas notícias trazem “ao de cima” a questão da liberdade de expressão que todos temos uns sobre os outros para ofender à vontade, e que neste caso especifico deve ser associado à liberdade de explosão que o ocidente tem sobre o resto do mundo, desde que achem por bem mandar com bombas e rebentar com tudo. Hiroshima e Nagasaki não me deixam mentir…
Enquanto via no outro dia o telejornal, ouço a opinião do cardial patriarca de Lisboa D. José Policarpo sobre este tema, dizendo que a liberdade de expressão pode por vezes ofender, mas os orientais têm uma forma de se mostrar ofendidos bem mais violenta que os ocidentais. Mas, ironia do destino… ou dos telejornais, essa opinião surgia logo a seguir à notícia do vídeo amador onde aparecem soldados britânicos a espancar um grupo de adolescentes iraquianos por se manifestarem pacificamente e na sua própria terra. Que inofensivos que nós somos…
Para mim a questão que se levanta com tudo isto é a mesma de sempre, a facilidade de odiar, mal tratar, acusar os outros quando os outros... são diferentes de nós.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Onde é que pára a crise??

Já todos ouvimos falar numa certa crise que anda por aí... Mas afinal... Onde é que ela anda?
Eu não sei! O que é certo é que dizem que todos os portugueses são vitimas dessa tal crise, mas deve ser rara a sua vítima que não tenha um telemóvel da ultima geração.
Li recentemente num jornal que os portugueses ao comprar os seus bens de 1ª necessidade ficam logo sem ordenado. Ora se há pessoas a considerar o telemovel como indispensável, estarão a incluir lá o ultimo que compraram? E será de 1ª necessidade que tenha câmara, maq. fotográfica, toques polifónicos, mp3, etc e tal... mesmo que não saibam usar nada disso?
Comecei também a reparar nas matrículas dos automóveis e notei que muitos são de 2003/2004, e últimos modelos das respectivas marcas. Mas nesses anos já não estavamos sob a famosa e misteriosa crise? E as férias em hoteis de luxo no verão? E a ida semanal e meio aparvalhada ao centro comercial? De onde trazem inumeros sacos cheios de bens de 1ª necessidade, ou seja, roupas de marca que é para não ficar mal entre os amigos? Eu acho que portugal está bem e recomenda-se. Viva e gaste à vontade que não há crise nenhuma! Era uma crise intestinal ou de estômago mas já passou! Ou então é só para alguns... muito poucos... chhhhiiuuuu!
Quem está em crise é a crise e ainda nem deu por isso. Como diz o outro: É a crise!

domingo, dezembro 04, 2005

Aqui entre nós...

Se gostas de usar peles, aqui estão umas imagens de que concerteza vais gostar, uma vez que gostas de as usar. São alguns modelos que são o ultimo GRITO da moda! Se vires as imagens e continuares a achar que não tens culpa de nada disto, pois apenas as usas e por isso não és tu que cometes os crimes, lamento profundamente... pois és tão crimonoso(a) quanto eles! Ou mais, pois se não houvesse quem consumisse, não seriam comercializadas e logo evitavam-se certas cenas tristes...


http://www.strasbourgcurieux.com/fourrure/portugues.php

são imagens violentas, mas é a realidade!se servirem para mudar certas mentalidades, cumpriram a sua função.

É também possível ter uma ideia de quantos animais são mortos por peça em pele. Dá para pensar um pouco... Mas há quem ache que é tudo muito normal, até porque se tratam de peles de luxo. De qualquer das formas aqui fica:

http://www.strasbourgcurieux.com/fourrure/peles%20de%20luxo.htm

e viva o luxo!!!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Coisas (F)uteis

Há objectos no nosso dia-a-dia que são extramente uteis, direi até indispensáveis. Mas apesar disso, devido à utilização que lhes damos, acabamos por transformá-los em objectos futeis e até mesmo bastante incómodos para os outros. É o caso dos automóveis e dos telemóveis.
Ninguém pode negar a sua utilidade, nem a nossa dependência deles para nos ajudar nos dias de hoje, mas é essencialmente a utilização exagerada que deles é feita, que os tranforma em objectos chatos, incómodos e até prejudiciais à saúde. Vejamos por exemplo os automóveis! Conseguiriamos viver com a mesma facilidade se não os tivessemos? Não. Mas e é necessário haver dois, três carros por casa? Podemos pensar: "Ah, mas cada um vai para seu lado e dá jeito cada um ter o seu." Pois claro! Mas e a poluição? E os cada vez mais frequentes acidentes? E a mobilidade dos peões, por exemplo, na cidade de Lisboa? Não temos passeios, estão ocupados com automóveis lá estacionados. Mal conseguimos andar porque por todo o lado circulam automóveis à nossa frente e a cidade de Lisboa é já uma das mais poluídas do mundo. Não há para onde fugir! E as filas enormes de "pára-arranca" com apenas uma pessoa por carro?
É necessário às familias organizar-se de forma a evitar que isto aconteça, porque grande parte das vezes tem-se dois, três ou mais carros por casa, apenas por futilidade e não por necessidade. E os telemóveis? É preciso haver três por pessoa? Eu não acho. Claro que é util ter um telemovel, claro. Pode salvar vidas, mas ter um de cada rede? Não será exagero? É que assim há mais hipoteses de começarem a apitar, nas ocasiões mais inopurtunas. Podem dizer: "Ah mas é para estar mais contactável!" Contactável? Quem quer estar mais contactável mantem sempre o mesmo cartão! É que se tivermos mais de dois meses sem falar com uma pessoa, ela já mudou de cartão e está completamente... incontactável, riscamos da nossa lista. Ou: "É para ser mais barato!" Mais barato? Sustentar três telemóveis é barato? Acho que com apenas um poupamos bastante mais. E quanto ao facto de só faltar terem micro-ondas incorporado falarei mais tarde noutra entrada aqui nos Horizontes.

sábado, novembro 19, 2005

Novos Horizontes

Este blog surge no seguimento do "Horizontes" do MSN Spaces( http://spaces.msn.com/members/horizonteslx/) . É a sua continuação, apenas decidi mudar de "instalações" e dar mais valor aos textos e às palavras. O que me parece ser o mais indicado tendo em conta o seu conteúdo e objectivos. Aqui não existem imagens que possam afastar a atenção daquilo que quero, as ideias e as opiniões.
Espero poder contar com toda a gente que fez do primeiro espaço um espaço de partilha de ideias, em que trocando as nossas diferentes opiniões tentavamos alargar Horizontes acerca dos mais diversos temas. Agora, os Horizontes têm novo visual e nova morada, mas continuam com o mesmo intuito! Cá vos espero a todos...